terça-feira, 16 de novembro de 2010

As diferentes culturas devem ser de todos os povos.



video
Meninas de Sinhá. Outro Olhar.

O palestrante desta vez foi Gil Amancio. Ele é professor de teatro do Palácio das Artes, além de ter uma vasta bagagem musical (já produziu várias pesquisas sobre música).
Ele inicia sua palestra apresentando um vídeo sobre a cultura negra no campo da modernidade. Amancio relata ser apaixonado com a cultura negra contemporânea, sua principal atuação atualmente é como produtor musical. Seu primeiro instrumento musical foi à percussão, depois migrou para o violão, iniciou tocando com músicos de Belo Horizonte, mas sempre teve contato com o teatro.
A primeira peça teatral que participou foi um musical, a parti daí começou a trabalhar com trilhas sonoras, aperfeiçoou suas técnicas, até se tornar produtor musical. Atuou efetivamente na sonoplastia do filme “Uma onda no ar”, além de trabalhos paralelos, tal como, realização da produção musical do grupo Meninas de Sinhá (Grupo de senhoras do Alto Vera Cruz) e do rapper Renegado . (também do alto Vera Cruz).
Tratando da temática “Rap”, Amancio acredita que “todo mundo que é moderno tem que fazer rap, até Caetano Veloso e Roberto Carlos já fizeram”. E enriquece acrescentando que “o importante é saber o que os meninos estão procurando na música do rap? O que se conclui ao discutir as letras das músicas e o que as produções musicais propõem? O que as pessoas vão deixando de lado? Ou o rap é apenas para suprir a demanda de mercado ou tem realmente alguma questão ideológica poeticamente a ser passada?”. Continuando no rap, Amancio deixa claro que existe um “bloqueio” da produção musical mineira, não há abertura para novas culturas, os rappers em sua maioria não misturam outros ritmos e exemplifica ao citar o cantor Marcelo D2 “em busca da batida perfeita” que é o inverso do que estamos acostumados.  Na visão de Amancio a “própria periferia cria uma barreira para experimentar outros espaços”.
Ao ser questionado sobre patrocinadores e apoio governamental na divulgação da arte negra, ele defende com veemência a descriminação racial, que insiste em permanecer em nossa sociedade nos dias de hoje. O palestrante exemplifica citando os festivais que deram início em 1997 em Belo Horizonte, tal como, o FIT (Festival Internacional de Teatro),  FID (Festival Internacional de Dança) e o FAN (Festival da Arte Negra), dentre outros. Dentre todos os festivais lançados pela prefeitura de Belo Horizonte o FAN foi o único que não teve continuidade, voltando a ser patrocinado pela prefeitura oito anos depois. Ainda segundo Amancio atualmente existe uma grande repercussão na mídia e na esfera pública, devido ao livro de Monteiro Lobato (uma parte que narizinho chama a Dona Benta de nariz de macaca), em contra partida o filme que conta a história da rádio favela “Uma onda no ar” houve dificuldades de conseguir patrocinadores.
Amancio finaliza dizendo que um dia participou de uma palestra sobre a cultura negra e que em determinado momento o palestrante disse: “Dizem que meu cabelo é ruim, mas o que ele fez? Matou? Roubou?”. A questão mercadológica rompe/afasta as culturas. Em uma visita a uma escola da Alemanha, ele pode constatar que a juventude alemã se sentem envergonhados de seus antepassados (Nazistas x Judeus), enquanto que no Brasil os africanos e seus afro-descendentes nem ao menos são lembrados de que ajudaram a erguer esta nação. Para Amâncio a educação é a base.
Para maiores informações acesse: www.gilamancio.blogspot.com

Camila Alzira e Joana D'Arc.

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